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99 anos de Paulo Freire, o educador revolucionário

Um de seus projetos mais importantes foi experimentado em Angicos, em 1963, e barrado pela Ditadura Militar




Se vivo estivesse, Paulo Freire completaria 99 anos em 19 de Setembro de 2020. Considerado Patrono da Educação Brasileira, este educador, filósofo e escritor é um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial.


Foi o brasileiro mais homenageado da história, com pelo menos 35 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América.


"Um de seus projetos mais importantes foi experimentado em solo potiguar, em 1963, com a promessa de alfabetizar 380 pessoas em apenas 40 horas, na cidade de Angicos. E ele conseguiu", lembra Pedro Chê, professor de História e coordenador do Movimento Policiais Antifascismo RN.

Participaram do método de alfabetização “40 Horas de Angicos” domésticas, operários, trabalhadores rurais, pedreiros, serventes, artesãos, lavadeiras, carpinteiros e tantos outros que formavam a massa trabalhadora daquele município.


O programa também tinha um viés politizador. A ideia era fazer com que os alunos, em sua maioria adultos analfabetos, aprendessem a ler em 40 horas e, além disso, também se politizassem.


Com o término da experiência saem os resultados da avaliação do aprendizado do experimento de Angicos: 300 participantes são considerados alfabetizados, com 70% de aproveitamento no “Teste de Alfabetização” e 87% no “Teste de politização”, segundo o livro “As 40 Horas de Angicos”, de Carlos Lyra, edição de 1996.

No processo de aprendizagem, os trabalhadores aprendiam palavras comuns a eles no dia a dia. Quem trabalhava no campo aprendia a escrever palavras como enxada, tijolo, terra.


Na medida em que os alunos fossem aprendendo, o pedagogo que fazia parte do grupo iniciava uma discussão mais crítica com os estudantes.


Se o aluno aprendia a palavra “tijolo”, por exemplo, iniciava-se uma discussão do tipo: você usa tijolos para fazer uma casa, mas você tem uma casa própria? Por que não tem? E isso fazia o indivíduo pensar sobre sua condição social.


O projeto despertou tanta atenção, que desembarcaram em Angicos muitos observadores, especialistas em educação e jornalistas do Brasil e do mundo, como dos jornais New York Times, Time Magazine, Herald Tribune, Sunday Times, United, Associated Press e do Le Monde, da França.


O documentário abaixo foi produzido, à época, pelo Serviço Cooperativo de Educação do Rio Grande do Norte (SECERN):




"De Pé no Chão também se Aprende a Ler"


É importante mencionar que, em 1964, o então prefeito de Natal, Djalma Maranhão (primeiro a ser eleito pelo voto direto e, até hoje, único prefeito progressista de Natal) se inspirou em Paulo Freire e seu Método 40 Horas de Angicos, e criou a primeira campanha de alfabetização em massa da capital potiguar, conhecida como "De Pé no Chão também se Aprende a Ler".


A ideia inovadora permitiu que 34 mil estudantes fossem alfabetizados em acampamentos simples, erguidos em madeira, barro e palha. Na época, a população de Natal era de 160 mil habitantes.


Por causa desse projeto, considerado "subversivo" pelos generais, Djalma Maranhão foi deposto do seu mandato pela Ditadura Militar que se instalou no Brasil após o Golpe de 1964.


Djalma foi preso e expulso do país, tendo ficado exilado no Uruguai, onde faleceu.


#PauloFreire #40HorasdeAngicos #DjalmaMaranhão #Homenagem #História

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